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sábado, 1 de março de 2014

Cúpula de Energia começa com uma visita surpresa de Bono

Membro ONE Vivian Onano e Bono. Crédito Foto: Ralph Alswang.
Surpresa!

No pontapé inicial da Cúpula 2014 de Energia da ONE em Washington, D.C., na tarde de 22 de fevereiro, um suspiro coletivo – e aplausos – encheram o ar quando o cofundador de nossa organização, Bono, subiu ao palco para reunir seus soldados.

O momento em que os membros ONE descobriram que nosso convidado surpresa era Bono:



A aparição de hoje foi de Bono no primeiro evento anual, que reúne funcionários da ONE e os 200 principais líderes voluntários de todos os EUA, para treinamento de advocacia e uma viagem ao Capitólio para pressionar em torno de nossa campanha contra a pobreza energética.

Os participantes da Cúpula deste ano vieram de 43 estados e incluem estudantes universitários, líderes de fé, blogueiros da ONE Mom, parceiros e nossos líderes distritais do Congresso (CDLs sigla em inglês).

Depois de surpreender o grupo, entrando na sala e perguntando se alguém precisava de um "CDL de Dublin", Bono se sentou para uma entrevista com a membro da ONE, Vivian Onano, uma líder estudantil da Carthage College, que cresceu no Quênia.

Onano perguntou a Bono se a ONE tem atendido suas expectativas ao longo da última década. “Eu nunca esperei que fosse tão legal”, ele brincou e, em seguida, acrescentou: “O que vocês estão fazendo é um grande negócio”.

Durante sua meia hora no palco, Bono falou francamente com o grupo como um companheiro ativista. Com a charmosa (e serena!) Onano, ele discutiu vários destaques das realizações ONE e por que a organização foi fundada na esteira do movimento de redução da dívida que ajudou os governos africanos a colocarem mais de 51 milhões de crianças na escola.


Bono falou sobre os primeiros dias da luta pelo financiamento contra a AIDS, a criação do PEPFAR e o momento “aha!” que teve com o ex-senador dos EUA, Bill Frist, que ressaltou a importância de campanhas de base. No final, “é preciso movimentos sociais para mudar as coisas”, disse Bono.

Bono também falou sobre a importância do trabalho ONE na luta contra a corrupção e pela transparência nos setores de petróleo e mineração, criticando o Instituto Americano do Petróleo por mover ação judicial para bloquear regras pró-transparência, as quais os ativistas ONE fizeram campanha com sucesso e ajudaram a transmitir.
Ele também falou sobre a importância do setor empresarial como um parceiro na luta contra a pobreza e chamou a atenção para a (RED), divisão da ONE, que tem parceria com empresas como a Apple e Starbucks, e gerou mais de 250 milhões de dólares, até o momento, para o Fundo Global de Luta Contra a AIDS na África. “(RED) é a porta de entrada para o ativismo”, disse ele.

Onano também teve a oportunidade de compartilhar algumas de suas experiências com Bono e aqueles voluntários, particularmente, em torno de nossa campanha contra a pobreza energética. Ela falou como era crescer sem eletricidade confiável em sua casa na zona rural do Quênia e os impactos negativos que tiveram na saúde e educação da criança

Por sagacidade habitual de Bono houve algumas grandes tiradas e um pouco de humor autodepreciativo. (“Crescendo na Irlanda, havia certas coisas que você não poderia discutir em uma sociedade civilizada como: sexo, religião e política”, ele riu. “Isso é tudo o que eu queria discutir.”) Ele estava aberto e sincero sobre o seu desejo de expandir o alcance da ONE. Energia e anticorrupção estão na agenda política ONE e, dentro dos próximos 10 anos, ele espera ‘ver mais membros ONE ao sul do equador ao invés do norte.’

Após entrevista à Onano, Bono respondeu perguntas da plateia e eu tive a chance de perguntar a ele como nós, ativistas, podemos continuar a convencer os nossos concidadãos – e os funcionários eleitos – que os avanços feitos contra a pobreza extrema são reais e que o investimento na África é bom para a economia dos EUA e para nossa segurança nacional. Como manteremos a paixão pelo trabalho na equação quando muito da nossa pressão é baseada em resultados orientados por dados? “Não podemos esquecer que as estatísticas são as pessoas”, disse ele.

Como membro ONE que participou como voluntária da organização desde o começo, estou satisfeita por Bono ter tempo para se juntar a nós na Cúpula de Energia. Sabemos que ele conhece a África, sabemos que ele sabe dos números, sabemos que ele é influente, sabemos que ele é legítimo. E ele sabe que nós também somos. Obrigada, Bono!

Por Kristi Wooten
Versão em Português: Mônica Brito

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Cathy Agallo reconta como é ser um estudante queniano no escuro

Cathy Agallo, uma membro ativa da ONE, reconta sua experiência de crescer em uma aldeia rural no Quênia. Atualmente, ela vive em Peoria, Illinois, onde ela trabalha em uma organização sem fins lucrativos.

Eu sou de Nairobi, no Quênia, e enquanto eu nasci em uma pequena aldeia, eu vivi na cidade praticamente toda a minha vida. Quando chegou a hora de eu ir para o ensino médio, eu escolhi estudar em um colégio interno em uma área rural, porque eu queria uma melhor educação.

Em Nairobi, todas as casas tinham eletricidade , embora não era muito acessível. Mas quando eu me mudei para uma área mais rural, eu só podia acessar energia até 06:00 da tarde. Na escola, eu corria para fazer tudo durante o dia, então eu não teria que usar um fogão a lenha ou lanternas para fazer minha lição de casa. Quando eu estudava depois de escurecer, rapidamente se tornava difícil se concentrar e minha visão muitas vezes enfraquecia enquanto eu trabalhava. No fim das contas, eu só teria que ir dormir porque a dor de cabeça tinha piorado muito.

Não era um ambiente propício para os alunos, mas a minha paixão por obter uma educação me fez ir além. Durante os exames, eu iria estudar mesmo sob os lençóis da minha cama com uma lâmpada a pilhas depois que todos tinham ido dormir .

No entanto, as minhas notas não eram a única coisa em risco quando a eletricidade era desligada todas as noites. Se alguém da minha escola ficasse doente durante a noite, a emergência teria que esperar até o dia seguinte, porque as instalações médicas não tinham eletricidade também. Em vez de ligar para o 911, usávamos remédios caseiros para manter o doente vivo até podermos encontrar ajuda na manhã seguinte.

Legenda da foto: Uma realidade comum demais - um estudante tentando estudar no escuro. Fonte: Lifeline Energy
Mas não era apenas a falta de energia elétrica em hospitais e clínicas o problema. Ninguém queria dirigir ou sair da aldeia à noite, porque qualquer um que saísse depois de escurecer era mais provável de ser assaltado. Até seis horas tudo estava fechado e todo mundo já tinha ido para casa para cozinhar o jantar e ficar dentro de casa até à manhã.

No entanto, mesmo quando você está dentro, você ainda não está seguro. As pessoas que vivem nas áreas rurais não são informadas sobre os perigos do uso de carvão dentro de casa e estão correndo um risco enorme cada vez que fazem uma refeição ou tentam aquecer sua casa.

Uma amiga achava que ela poderia se manter aquecida ao dormir perto de seu fogão de carvão durante o tempo frio. Ela morreu de intoxicação por monóxido de carbono durante a noite.

O fato de que as lojas fecham tão cedo, porque não há energia elétrica prejudica a economia. Um país só pode se desenvolver com base na quantidade de energia elétrica fornecida, o que significa que o Quênia está parado. No entanto, a África urbana está se desenvolvendo.

As pessoas em cidades com acesso à energia não têm que correr para casa todos os dias. Elas podem trabalhar nos turnos da noite, e sua economia opera 24 horas por dia. Precisamos trazer essa mesma infra-estrutura de energia e oportunidades relacionadas à África rural.

Temos a oportunidade de levar eletricidade a 50 milhões de africanos pela primeira vez através da "Electrify Africa Act of 2013" - ação para trazer energia elétrica para a África. É a nossa vez de falar e ser uma força motriz para a mudança.

Sem eletricidade em áreas rurais e urbanas, o Quênia não pode se desenvolver economicamente ou fornecer os serviços educacionais e de saúde necessários para ajudar a tirar a África da pobreza extrema.

Ajude alunos como Cathy apoiando o projeto de lei “Electrify Africa”. Assine nossa petição aqui.

Por: Cathy Agallo
Versão em Português: Aline Dias 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Seis maneiras de a pobreza energética ameaçar cuidados de saúde para os mais pobres


Eletricidade a partir de micro hidrelétrica fornece energia para iluminação e armazenamento de vacinas nesta clínica no Zimbábue, ajudando a manter esses bebês seguros e saudáveis. Crédito da Foto: Ação Prática (Practical Action).

Nossa série de posts em três partes sobre a pobreza de energia vai examinar as conexões entre energia, saúde, educação e economia. Nesta parte, vamos nos concentrar sobre a importância do acesso à energia nos serviços médicos e de saúde.

A falta de acesso às formas modernas de energia – ou a pobreza energética – tem efeitos nocivos diretos e indiretos sobre os serviços médicos e de saúde na África Subsaariana. Na verdade, mais de 30% das clínicas e hospitais na África Subsaariana, atendendo a aproximadamente 255 milhões de pessoas, estão sem eletricidade. Leia seis maneiras surpreendentes de como a pobreza energética afeta o sistema de saúde e coloca vidas em risco adicional:

1.   Médicos lutam para fornecer serviços clínicos após o pôr do sol.
O acesso aos serviços de energia aumenta a jornada de trabalho para os profissionais da área médica e lhes permite ver um número maior de pacientes em um dia. Quando as instalações sem iluminação elétrica veem pacientes após escurecer, elas dependem de lâmpadas de parafina, velas e tochas que fornecem luz de baixa qualidade, emitem gases nocivos e, em alguns casos, apresentam risco de incêndio. Estes tipos de luzes também são muitas vezes mais caras por unidade de energia do que a iluminação elétrica.

2.   Operações de salvamento, exames e procedimentos não podem ser realizado uma sem boa iluminação.
Realização de exames médicos, para não mencionar cirurgias invasivas ou o parto, com iluminação deficiente coloca sem surpresa risco adicional ao paciente. De fato, alguns estudos descobriram que a mortalidade materna e infantil pode ser reduzida em até 70% à noite, com o fornecimento de iluminação, mesmo mínima, e dispositivos médicos.

3.  Vacinas, exames de sangue e medicamentos não são armazenados em condições adequadas.
Vacinas que protegem contra doenças evitáveis podem perder a eficácia quando não refrigeradas adequadamente. Mesmo quando os postos de saúde têm acesso à energia, muitas vezes é intermitente, com interrupções que duram em média 4,5 horas no Quênia. De fato, 60% dos refrigeradores do centro de saúde são pensados para ter fontes de alimentação inconsistentes.
RELACIONADOS: Mais estatísticas sobre a pobreza energética a partir do Practical Action.

4.   Pequenas instalações de saúde não podem se comunicar com especialistas ou obter transporte de pacientes para outras instalações no caso de uma emergência.
Pobreza energética também limita as interações entre profissionais de saúde e impede a transferência de informação e conhecimento. Tecnologia de comunicação, como telefones celulares e rádios VHF, são necessários para garantir que há apoio suficiente durante emergências e permitir melhores decisões de tratamento, conectando-se aos especialistas de hospitais de referência.

5.  Centros de saúde não podem equipar o laboratório com ultrassom e máquinas de raio-X, bem como com incubadoras.
Eletricidade é especialmente importante na realização de testes de diagnóstico confiável e rápido para ajudar a prevenir emergências médicas antes que elas ocorram. Mas até mesmo os procedimentos mais rotineiros requerem ferramentas médicas como ultrassom e máquinas de raio-X que são impossíveis de usar sem uma fonte de energia confiável. Por exemplo, o acesso à energia teve um impacto impressionante nas taxas de sobrevivência infantil. A taxa de mortalidade neonatal (a probabilidade de uma criança morrer nos primeiros 28 dias após o nascimento) diminuiu de 40% para 28% a cada 1000 nascimentos nas unidades de saúde do Quênia, como resultado da alimentação de incubadoras para recém-nascidos.

6.  Fornecimento ineficiente de energia para iluminar, cozinhar e aquecer leva ao alto uso de fogueiras e lampiões de querosene.
Ambas as fontes de energia citadas acima são altamente poluentes e tóxicas e contribuem globalmente para mais de 3 milhões de mortes; principalmente, de mulheres e meninas. A OMS estima que a poluição interna da biomassa para cozinhar, em breve, será uma assassina maior do que a malária e HIV / AIDS combinadas.

Qual dos seis itens listados acima surpreendeu mais? Deixe-nos saber na seção de comentários abaixo e adicione seu nome ao nosso compromisso pedindo aos líderes globais que enfrentem a pobreza de energia hoje. 

Por Gretchen Knoth
Versão em Português: Mônica Brito

quinta-feira, 11 de julho de 2013

ENERGIZAR a luta contra a pobreza extrema


Atue Agora.

Adicione seu nome

Um projeto de lei foi introduzido na Câmara pelo Presidente de Relações Exteriores Ed Royce (R-CA) e o congressista democrata sênior Eliot Engel (D-NY) que levará eletricidade a 50 milhões de africanos pela primeira vez.
Por que este é um negócio tão grande? Porque na África Subsaariana 7 em cada 10 pessoas não têm acesso à eletricidade. Mães dão à luz no escuro. Famílias não podem refrigerar seus alimentos. Crianças são forçadas a fazer sua lição de casa à noite com apenas uma vela ou lanterna.
Adicione seu nome e deixe os congressistas saberem que é hora de iluminar a África hoje.

A Petição:

Caros congressistas,
Por favor, ajudem a iluminar a África, apoiando o projeto de lei que irá fornecer para 50 milhões de pessoas acesso à energia elétrica pela primeira vez. Esse projeto vai transformar a vida das pessoas – e nos manter no caminho certo para acabar com a pobreza extrema até 2030.

Via:ONE
Versão em Português: Mônica Brito

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Expandindo o acesso à energia para combater a pobreza extrema

No segundo de dois vídeos (em inglês), Richenda discute o que Setor Privado, Governos e Sociedade Civil podem fazer em 2012 para vencer  a deficiência energética.
Você pode descobrir mais sobre deficiência energética e o Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos no link: http://onebrazil.blogspot.com.br/2012/03/2012-e-o-ano-internacional-da-energia.html e sobre os Vencedores do Prêmio Ashden no www.ashden.org (em inglês).

Por Tom Wallace
Versão em Português: Li Lima

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Por que energia é importante para o Desenvolvimento


A recente Conferência da Ashden 2012 para Soluções Sustentáveis para uma Vida Melhor teve o foco em soluções de energia e foi presidida pela Diretora Executiva de Energia e Clima das Nações Unidas Richenda Van Leeuwen, que é especialista internacional em energia com mais de 20 anos de experiência e tem um foco especial no acesso à energia para melhorar a vida em comunidades  pobres. Sentei-me com ela para falar sobre a importância do acesso à energia e sobre o Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos (link em inglês SE4ALL).

No primeiro de dois vídeos (em inglês) Richenda e eu discutimos a importância do acesso à energia e por que é necessário enfrentar o desafio agora, no Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos.
No próximo vídeo Richenda discutirá como o setor privado, governos e sociedade civil podem ajudar a combater a deficiência energética.

Por Tom Wallace
Versão em Português: Li Lima

terça-feira, 10 de julho de 2012

Pontos positivos da Rio +20 - reconhecendo o acesso à energia como crucial para o desenvolvimento


Infelizmente a liderança internacional nega o fracasso na Convenção das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, também conhecida como Rio +20. Num mundo de crescente desigualdade e pressão insustentável sobre os recursos naturais do nosso planeta - ambos estão a enfraquecer o crescimento econômico e a redução da pobreza- líderes governamentais e organizações da sociedade civil igualmente afirmam que os resultados da Rio+20 carecem de uma visão forte.

No entanto, quando os líderes se reúnem para aprovar o texto final, devemos reconhecer que nem tudo foi um fracasso. Devemos ter a certeza de tomar os aspectos positivos da Rio +20 e edificar a partir deles. Por exemplo: é uma grande notícia que a comunidade internacional reconhecerá e apoiará o direito de todos à água potável e instalações sanitárias. Os líderes também se comprometem a proteger, restaurar a saúde, produtividade e recuperar oceanos e os ecossistemas marinhos para as gerações presentes e futuras.

Em matéria de energia - enfoque especial para ONE - os governos reconhecem a importância central do acesso à energia para o desenvolvimento; observando que o acesso a esses serviços são essenciais para a inclusão social e igualdade de gênero. Este reconhecimento é um passo a frente, pois a questão do acesso à energia foi negligenciado por muito tempo pela comunidade internacional.

Este reconhecimento também é amparado pelo anúncio feito pelo Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon, que mais de cem compromissos e ações já foram mobilizados em apoio  a Iniciativa da Energia Sustentável para Todos (Link em inglês: Sustainable Energy for All - SE4ALL). Os compromissos assumidos pelas empresas do setor privado, organizações da sociedade civil e os governos procuram alcançar o acesso universal  a energia até 2030, bem como duplicar as quotas das energias renováveis e a taxa de melhoria da eficiência energética.

Os compromissos assumidos neste anúncio incluem mais de 23 feitos pelas nações africanas. Outros compromissos importantes incluem: o Banco Africano de Desenvolvimento investirá 20 bilhões de dólares em energia até 2030, empresas e investidores prometem mais de 50 bilhões de dólares para as metas da SE4ALL, o Brasil investirá mais 235 bilhões de dólares em dez anos em energias renováveis​​, a União Europeia proverá acesso a serviços de energia sustentáveis ​​para 500 milhões de pessoas até 2030 e a d.Light Design compromete-se a fornecer lâmpadas solares para 30 milhões de pessoas em mais de 40 países até 2015.

O diretor de Política Global da ONE, Ben Leo, saudou os compromissos e o anúncio. Ele disse:
"A falta de acesso a energia limpa, confiável e acessível prende milhões na pobreza e limita o crescimento e desenvolvimento. Apesar de termos as soluções que podem aumentar o acesso à energia, até agora, a liderança política sobre esta questão tem falhado. O anúncio feito pelo Secretário-Geral é, portanto, muito bem-vindo, especialmente por que os compromissos assumidos até a data no campo de atuação da SE4ALL devem beneficiar mais de 1 bilhão de pessoas. "

Claro que isto é apenas o primeiro passo. É essencial que os compromissos assumidos no Rio sejam transformados em ações concretas que alcancem os cidadãos africanos e do mundo .... Isto não será fácil.
Governos devem ser responsabilizados e trabalhar junto aos doadores, empresas e sociedade civil. Isto será de grande importância para garantir o acesso universal a energia limpa e confiável. Nenhum grupo será capaz de conseguir isto sozinho, é apenas através de ação colaborativa e inclusiva que veremos o fim de uma época em que 7 a cada 10 cidadãos da África subsaariana vivem sem eletricidade. A ONE trabalhará duro para garantir isto.

Por Tom Wallace
Versão em Português: Li Lima

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Rio+20: Como fornecer eletricidade para mais 1,3 bilhão de pessoas ?


Dia 18, na Conferência Rio+20 das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, foi lançado o Relatório da Rede Profissional de Acesso a Energia (link em inglês Energy Access Practitioner Network) para atingir o acesso Universal a Energia em 2030 - um conjunto de recomendações baseadas na experiência internacional no setor para fornecer eletricidade para 1,3 bilhão de pessoas que ainda não a têm.

A ONE acolhe com grande satisfação o relatório que informará governos, investidores, setor privado, organizações da sociedade civil, empresas sociais e as Nações Unidas sobre as mudanças políticas e modelos de negócios inovadores que são necessários para impulsionar o setor e levar energia sustentável para as comunidades mais pobres.

O relatório demorou quase dois anos para ser concluído e envolveu mais de 500 especialistas internacionais, representando uma gama de disciplinas e organizações que, coletivamente, prestam serviços de energia para mais de 11 milhões de famílias anualmente. Focado principalmente em soluções locais e inovadoras e não na extensão da rede elétrica tradicional, o relatório se concentra em fornecer eletricidade aos cidadãos mais isolados e negligenciados do mundo.

Será crucial que ao longo dos próximos anos, governos, setor privado e ONGs assumam as recomendações do relatório e as transformem em compromissos e ações para ajudar a fornecer o acesso a eletricidade para as pessoas mais pobres.

"Essas recomendações aproveitam a experiência prática combinada de pessoas que trabalham nas linhas de frente do fornecimento de serviços de energia em cerca de 125 países ao redor do mundo", disse a coordenadora da Practitioner Network, Richenda Van Leeuwen. "O Relatório destaca desafios e oportunidades, uma variedade de financiamentos, políticas e recomendações técnicas que ajudarão as comunidades e clientes que eles servem a levar os  benefícios do desenvolvimento que os modernos serviços de energia podem proporcionar  para a Saúde, geração de renda, Agricultura, Educação, igualdade de gênero e Proteção Ambiental.”

Quando os líderes mundiais reunirem-se nesta quinta-feira no Rio para um evento de alto nível sobre Energia Sustentável para Todos (link em inglês  Sustainable Energy for All), a ONE lhes  pedirá que assumam as recomendações do relatório e assegurem que medidas sejam tomadas para garantir a universalização do acesso à energia elétrica.

Por Tom Wallace
Versão em Português: Li Lima

segunda-feira, 12 de março de 2012

2012 é o "Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos"

Hoje na Cúpula Mundial de Energia em Abi Dhabi a ONU oficialmente declarou 2012 o “Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos”. Esta declaração marca o crescente reconhecimento e apoio para combater a pobreza energética.


No discurso de abertura da Cúpula, o secretário-geral da ONU Ban-Ki-Moon oficialmente anunciou 2012 como o “Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos” para 157 nações e 57 organizações internacionais presentes. Além disso, o Secretário Geral também lançou a sua iniciativa com o mesmo nome. A Iniciativa Energia Sustentável para Todos exigirá dos compromissos nacionais e do setor privado e atrairá a atenção mundial para a importância da energia para o desenvolvimento e a diminuição da pobreza. Existem três objetivos específicos da iniciativa para atender até 2030:
  • Garantir o acesso universal a serviços energéticos modernos;
  • Dobrar a taxa de melhoria da eficiência energética;
  • A duplicação da cota das energias renováveis no pacote energético global
Abordar a pobreza energética é uma grande prioridade para a África. A maioria das pessoas na África depende de lenha para cozinhar, o que muitas vezes é de uma fonte insustentável e a maior causa de doença respiratória. O chocante de 500 milhões de pessoas na África Subsariana ainda não tem acesso a um fornecimento de eletricidade – isso significa que eles não têm luz à noite, acesso limitado às comunicações modernas, serviços de educação e saúde inadequados, e sem energia confiável suficiente para ampliar seus negócios. Na verdade quase 70% das empresas africanas pesquisadas citam as fontes de energia caras e pouco confiáveis como um dos principais entraves para o crescimento econômico e a criação de emprego.

Lidar com a pobreza de energia na África é fundamental para a sua redução, a criação de emprego e o crescimento econômico sustentável. Empresas africanas e os governos sabem disso, e claramente comunicam a necessidade de um esforço coordenado para enfrentar a pobreza energética no continente. Em 2012 existe uma necessidade imediata para impulsionar esta agenda a frente e combater a pobreza energética no continente.

Ao fazer isso o continente não deve ignorar seu enorme potencial para o crescimento de energias renováveis: apenas 0,6% de sua energia geotérmica tem sido explorada, menos de 2% de sua energia eólica tem sido explorada e apenas 7% do potencial hidrelétrico tem sido explorado.  A África é rica em fontes de energia sustentável. Como tal tem o potencial de liderar o mundo em uma nova forma de crescimento econômico sustentável. No Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos os líderes devem olhar como podem trabalhar com a África para alcançar esta visão e, ao fazê-lo, erguer o povo africano da pobreza energética.

“Este é o momento certo para a iniciativa”, disse o Secretário Geral das Nações Unidas aos líderes em seu discurso de abertura na Cúpula Mundial de Energia.

“Em todo o mundo vemos a criação momentânea para a ação concreta, que reduza a pobreza energética, catalise o crescimento econômico sustentável e atenue o risco de mudança climática. Alcançar a energia sustentável para todos é viável e necessário, e minha iniciativa vai nos ajudar a cumprir estes objetivos simultaneamente. Pode ser uma vitória tripla para todos.”
Por Tom Wallace 
Versão em Português: Monica Brito