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sexta-feira, 17 de julho de 2015

APOIE MENINAS E MULHERES EM TODOS OS LUGARES


A pobreza é sexista, e não vamos vencê-la a menos que os líderes mundiais ajam agora para ajudar que garotas e mulheres atinjam seu pleno potencial. Não importa como você analise a questão - socialmente, economicamente, legalmente - meninas e mulheres nos países mais pobres têm um tratamento injusto.

É hora de agir.
Pela garota a quem foi negada educação ou foi forçada a casar-se.
Pela mãe que corre o risco de morrer ao dar à luz.
Pela agricultora impossibilitada de ser dona da terra em que trabalha.

Em todo o mundo, meninas e mulheres estão mostrando sua força e reagindo. Elas têm conseguido coisas extraordinárias, apesar das barreiras que enfrentam. Mas sua voz pode ajudar a transformar vitórias pessoais em globais.


Prezados Líderes Mundiais,

Este ano podemos nos comprometer em acabar com a pobreza extrema - mas somente alcançaremos isso se liberarmos o pleno potencial de milhões de meninas e mulheres.

Estou contando com Você para tomar atitudes que levem à real mudança - priorizando os países e pessoas que mais precisam.


Via:ONE
Versão em Português: Li Lima

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A agricultora queniana Anne responde às suas perguntas

Em parceria com o Fundo One Acre, estamos seguindo Anne, uma pequena agricultora do Quênia, pela safra inteira. Do plantio à colheita, vamos averiguar em cada mês para ver como a vida realmente é para um agricultor da zona rural do Quênia.

Foto: Anne com seus filhos Leah, Sharon e Joshua. Foto: Hailey Tucker / Fundo One Acre
No mês maio, Anne terminou a maior parte do plantio. Embora ela ainda tenha que trabalhar em sua área, capinando e aplicando fertilizantes para cada cultura, no momento adequado, estes trabalhos menos demorados significam que ela pode passar mais tempo na vida familiar.

Seu filho mais velho Briston saiu de casa, mas seus outros filhos, Sharon (18), Lia (14), Joshua (13), Elvis (7) e Steve (3) estão em casa, quando não estão na escola.

Cedo em uma manhã de segunda-feira, Anne se move em torno da casa escura, em silêncio, mas rapidamente, sem precisar de luz para encontrar seu caminho de volta. No momento em que o sol começa a subir, ela já tem os filhos vestidos e prontos para comer.

Ela diz a Joshua para pegar uma tigela de lata para o seu lanche matinal ainda quente de amendoim torrado e ajuda Sharon a ajustar sua gravata do uniforme escolar. À medida que as crianças comem na cozinha, Anne varre os caminhos de terra ao redor do seu recinto e endireita as toalhas de crochê que cobrem as cadeiras de madeira em sua casa. Ela balança a cabeça ligeiramente.

“Quando eu peço tarefas às crianças, na maioria das vezes elas se esquecem e eu volto a encontrar as tarefas não feitas”, diz Anne. “Às vezes, isso me deixa louca.”
Anne fazendo chá em casa
Foto: Hailey Tucker / Fundo One Acre

Ela faz rápido trabalho de arrumar a bagunça leve da casa e retorna para ajudar seus filhos a se prepararem para a escola. Seu marido Isaac já partiu para um mercado próximo, onde espera comprar gado que ele possa, então, revender no final de semana.

Depois de as crianças irem à escola, Anne deixa seu gado a pastar, examinando sua área para ver o que precisa ser feito na lavoura. Ela também tem que fazer várias viagens ao riacho mais próximo a 1 km a fim de buscar água suficiente para uma casa de sete poder beber e banhar-se.

“O que me faz tão cansada é a corrida entre os trabalhos”, diz Anne. “É como correr atrás do tempo e isso me deixa cansada. Estou sempre pensando, “após esta, então isto, e depois disso, então isso”.

Apesar do esgotamento que Anne sente, ela adora ser mãe. Ela sorri quando descreve como a casa fica agitada, à noite, quando todos os filhos voltam.

“Quando toda a família está por perto, algumas das crianças são muito ativas e barulhentas. Elas fazem piadas e toda a família ri. Então, há algumas que são mais tranquilas. Algumas ficam, às vezes, um pouco rudes, e então eu preciso intervir.” Anne diz: “Eu realmente gosto desta hora, todos os dias, porque eu posso aprender o caráter de meus filhos, quem é quem, e isso me traz alegria”.

Anne diz que quer que seus filhos se tornem tudo o que eles querem, quando eles crescerem, mas ela espera que eles aprendam algumas de suas habilidades também.

“Eu aprendi a cultivar vários tipos de legumes e como plantar cebolas, porque era isso que meus pais costumavam fazer”, diz Anne. “Eu quero dar a cada filho a oportunidade de escolher o que ele ou ela gostaria de fazer, mas espero que, uma vez vendo o que faço na minha fazenda, eles possam aprender e serem capazes de reproduzir, se precisarem.”
Foto: Anne pastoreia suas vacas. Foto: Hailey Tucker / Fundo One Acre
No mês passado, nós convidamos você a enviar uma pergunta para Anne e recebemos quase uma centena delas! Estaremos postando mais de suas respostas em posts futuros.

Stephanie Michelle perguntou: Qual é o maior obstáculo que você enfrenta como uma agricultora no Quênia?
Anne: “As chuvas e o sustento da família. Apesar de trabalhar duro executando as atividades da fazenda – elas podem falhar. E se elas falharem, a família ainda parece oferecer alguma coisa”.

Katarina Novotna perguntou: Se você pudesse ter qualquer emprego no mundo, qual seria?
Anne: “É o meu sonho vender roupas. Outros trabalhos que eu possa gostar de fazer teria exigido mais educação, e eu gosto dessa ideia, pois o trabalho ainda permitiria tempo para cuidar da minha família e do gado”.

Kevin Fath perguntou: Quais são as suas estratégias diante do aumento da variabilidade dos níveis de precipitação?
Anne: “Eu olho para as culturas e se elas estão crescendo lentamente e se tornando um pouco amareladas; então, eu sei que há muita chuva. Nesse caso, eu costumo cavar uma vala na maior parte do meu terreno para reter a água. Este ano, eu não fiz isso. Em vez disso, plantei grama napier para servir ao mesmo propósito, mas tenho observado que este ano as chuvas têm sido tão pesadas que a grama tem deixado a água passar rapidamente”.

O Fundo One Acre serve 125 mil pequenos agricultores no Quênia, Ruanda e Burundi, ajudando-os a aumentar suas colheitas e rendimentos. Ele fornece aos agricultores um pacote de serviços que inclui sementes e fertilizantes, crédito, treinamento e facilitação de mercado, e permite-os dobrar sua renda por hectare plantado. Para saber mais sobre o seu trabalho, você pode ler Roger Thurow em "A Última Estação da Fome".

Pela convidada Blogger: Hailey Tucker
Versão em Português: Mônica Brito

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Quanto custa o excesso de chuva? Pergunte à agricultora queniana Anne

Em parceria com o Fundo One Acre, estamos seguindo Anne, uma pequena agricultora do Quênia, pela safra inteira. Do plantio à colheita, vamos averiguar em cada mês para ver como a vida realmente é para um agricultor da zona rural do Quênia. Escrito por Hailey Tucker.
Foto: Anne em casa no Kisiwa, Quênia. Foto: Hailey Tucker
No oeste do Quênia o plantio bem sucedido para o ano é tipicamente visto como questão de material, habilidade e conhecimento. No entanto, a maioria dos agricultores reconhece que finalmente – independente da especialização – a germinação de plantas pode ser conquistada ou perdida pelas chuvas.

Para os agricultores que plantam muito cedo não haverá chuva consistente o suficiente para ajudar suas culturas a crescerem. Para os agricultores que esperam o tempo suficiente, mas se sem sorte, as sementes recém-semeadas serão lavadas pelas chuvas antes das mudas terem a chance de criarem raízes.

Tentar identificar o momento perfeito faz do plantio uma das escolhas mais cheias de risco que um agricultor pode fazer.

Foto: Anne (à esquerda) e Rasoa Wasike,
ambas membros do Grupo de Mulheres Kabuchai,
plantando milho-miúdo. Foto: Hailey Tucker
Há algumas noites seguidas estava muito quente para Anne dormir e quente demais parasequer se cobrir com qualquer tipo de cobertor, então ela sabia que estava chegando a hora. Anne estava acordada em um colchão umedecido de suor e ouvia um forte vento sussurrante nas árvores.

“Quando a temperatura permanece alta durante a noite e os ventos estão soprando forte de oeste para leste, eu acredito que as chuvas estão muito perto”, diz Anne. “Em seguida, no dia, eu observo as nuvens. Se há nuvens escuras e elas ficam mais perto da Terra do que as nuvens claras, então eu sei que as chuvas estão chegando.”

Após ter visto os sinais que Anne associou com chuvas que viriam, decidiu plantar parte de seu milho para a temporada no dia 22 de março e, em seguida, terminou o resto do terreno em 25 de março depois de tirar alguns dias para o funeral de sua sogra.

Na manhã de plantio, Anne e seu marido Isaac reuniram-se com seus parentes para rezar sobre as suas sementes e fertilizantes. “Eu sou uma crente”, diz Anne. “Eu sou espiritual, deste modo antes de plantar minha família vai rezar.” Isaac, que é pastor em uma igreja local, conduz a oração.

Após o plantio, Anne comentou: “Preparar o manuseio da terra para o milho-miúdo requer muito comprometimento e trabalho, porque tivemos que romper o solo muito fino e remover todos os detritos. Toda a preparação é útil, porque, em seguida, torna ainda mais fácil que o plantio do milho.”

Em 23 de março, as chuvas foram pesadas e como o terreno de Anne está situado em uma ligeira inclinação, seu primeiro ciclo de sementes recebeu de mais água do que o normal. Olhando para o terreno, duas semanas depois, os sulcos que uma vez dividiram suas carreiras de sementes são pouco visíveis, mas os trechos de milho-miúdo ainda começam a aparecer.

“As chuvas estão um pouco diferentes este ano, porque elas geralmente vêm em abril”, diz Anne. “Elas vieram este ano em março, em vez disso, e também são muito mais pesadas.”
Os primeiros brotos verdes de milho-miúdo germinando. Foto: Hailey Tucker
A segunda metade do seu terreno recebeu chuva leve na maior parte dos dias, imediatamente após o plantio, que é o melhor que Anne poderia ter pedido.

“Acredito que estas são boas”, Anne diz apontando para o segundo conjunto de mudas. “Elas são muito melhores. Eu acho que irão germinar bem.”

Você tem uma pergunta ou mensagem para Anne? Deixe um comentário e nós iremos levá-lo diretamente a ela, no Quênia, e tentar respondê-lo na próxima edição.

O Fundo One Acre serve 125 mil pequenos agricultores no Quênia, Ruanda e Burundi, ajudando-os a aumentar as suas colheitas e rendimentos. Ele fornece aos agricultores um pacote de serviços que inclui sementes e fertilizantes, crédito, treinamento, facilitação de mercado e os permite dobrarem a sua renda por hectare plantado. Para saber mais sobre o seu trabalho, você pode ler Roger Thurow em ‘"A Última Estação da Fome".

Pela Convidada Blogger: Hailey Tucker
Versão em Português: Mônica Brito

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Experimentos da agricultora Anne com batata-doce de polpa alaranjada

Em parceria com o Fundo One Acre, estamos seguindo Anne, uma pequena agricultora do Quênia, pela safra inteira. Do plantio à colheita, vamos averiguar em cada mês para ver como a vida realmente é para uma agricultora da zona rural do Quênia. 

Para o período de 2013, o Fundo One Acre ofereceu a cada um dos seus agricultores quenianos mais de 400 cepas vivas de batata-doce para plantar e colher.
Foto: Anne com suas novas plantas de batata-doce de polpa alaranjada. Crédito da foto: Fundo One Acre
Anne estava especialmente animada para receber suas cepas de batata-doce. Sua mãe costumava cultivar batata-doce todos os anos e Anne, geralmente, plantava um pequeno lote. No entanto, Anne espera que essas batatas sejam diferentes.

As cepas irão produzir batata-doce de polpa alaranjada, opostas às brancas que ela e sua mãe têm cultivado. Batatas-doces de polpa alaranjada são superiores às brancas, porque fornecem nutrientes importantes como as vitaminas C, A e B6.

O método de plantio do Fundo One Acre para batatas é diferente daquele que Anne utilizava no passado. Inclui técnicas que ela nunca tentou antes.
“Estou muito curiosa para ver como as batatas irão se desempenhar; então, eu poderei comparar entre as batatas anteriores e essas”, disse Anne.
“Espero que estas tenham um bom desempenho”, diz ela, enquanto escolhe as cepas cortadas com suas mãos, removendo quaisquer que acha murchas.

O método do Fundo One Acre para o plantio de batata-doce incentiva agricultores a criarem sulcos e plantar as cepas ao longo do topo de cada cume. Anne já havia plantado as batatas-doces em montes.
Anne experimenta o plantio de batatas-doces em sulcos. Crédito da foto: Fundo One Acre
“Este método de plantio de usar sulcos eu vi há muito tempo com a minha mãe, mas a forma como as cepas são plantadas no sulco é diferente de como ela costumava fazer”, diz Anne. “O Fundo One Acre disse para plantar as cepas no topo da serra. Minha mãe costumava plantá-las ao longo dos lados”.

Anne recebeu as suas cepas de batata-doce dia 06 de maio e as plantou com seus dois filhos mais velhos no dia 13 de maio. Eles plantaram as cepas em um terreno de Anne, perto da Igreja onde Isaac, seu marido, prega.

Anne diz que o novo método de plantio não foi muito difícil e espera que colher as batatas fora dos sulcos seja mais fácil do que colhê-las fora dos montes como ela estava acostumada.
Ela provou batatas-doces de polpa alaranjada antes e diz que tem sabor diferente da variedade que ela geralmente cultiva.

“Eu não me importo se elas são laranja ou branca, porque são ambas batatas e são ambas comestíveis!”, diz Anne. “As laranjas têm gosto muito doce para mim. Elas têm gosto de açúcar.”

Anne vai colher suas batatas doces em algum momento de agosto. Vamos compartilhar os resultados de sua colheita com você em poucos meses!

Enquanto isso, aqui estão mais algumas respostas para as perguntas que você enviou para Anne em maio.

Marietta perguntou: Anne, os pequenos agricultores dividem ou têm acesso a um boi, a fim de arar o solo?

Anne: Este ano eu usei dois bois para a primeira lavoura de minha terra e, em seguida, fiz a segunda com a mão. Eu aluguei os bois por um dia, pelo preço de 1.000 xelins quenianos (US$ 12 USD) por dia. Quando eu limpava com a mão, levava uma semana de 08h30 às 12:00 para limpar a mesma terra.

Karen E Van Buskirk perguntou: Olá Anne no Quênia! Eu vou orar para que você tenha um grande ano com as suas culturas. Quais as ferramentas que você usa?

Anne: “A ferramenta que eu mais uso é um jembe (enxada). Minha terra é livre de árvores, então não preciso de um panga (facão) e de outra ferramenta qualquer para derrubar algo. Eu uso o jembe para lavrar a minha terra, romper o solo e fazer linhas e sulcos para o plantio.”

Por Convidado Blogger: Hailey Tucker
Versão em Português: Mônica Brito

sexta-feira, 7 de junho de 2013

CARE, por Educação

" 'Curta' a página da CARE no Facebook , e seus doadores proverão 1 semana de escola para uma menina num país em desenvolvimento. 

Se eles alcançarem 200.000 curtidas até 13 de junho, você os terá ajudado a garantir fundos suficientes para enviar 160 meninas para a escola por 12 anos."

Clique no link para curtir a página deles e compartilhe com o máximo de amigos que puder, por favor:  https://www.facebook.com/carefans

Por: ONE

Versão em Português: Li Lima

domingo, 12 de maio de 2013

Por que me sinto com mais sorte ainda neste Dia das Mães?

Uma reflexão pessoal para o novo relatório do Salve as Crianças (Save the Children), “Situação das Mães do Mundo.”

No domingo, 12 de maio, vários países do mundo irão celebrar o Dia das Mães. É um dia no qual a maioria de nós associa com flores, cartões, caixas de chocolate ou, talvez, tarde-da-noite-em-cima-da-hora-eu-ainda-lembrei-de-ligar. Muitos de nós – e eu me incluo como uma mãe de sorte de três pequenas crianças – também  associamos com cartões em forma de coração com caligrafia trêmula afirmando “Mamãe Eu Te Amo”.

Como um novo estudo realizado pela “Save the Children” mostra, tive a sorte de dar à luz aos meus filhos onde eu quis. Finlândia (de onde eu venho) e Alemanha (onde os meus filhos nasceram) são classificados, respectivamente, na primeira e nona colocação dos melhores países do mundo para o bem estar de mães e recém-nascidos.


Deslize para baixo a lista de classificação 169 (Nigéria), 173 (Mali) ou o último em 176 (DR Congo) e as coisas parecem muito diferentes. Estes números não são sobre o bem estar – são sobre a sobrevivência. Taxas de mortalidade infantil ainda são quase seis vezes maiores na África que na Europa, de acordo com a Organização Mundial de Saúde - OMS (WHO). As taxas de mortalidade materna na África Subsaariana são as mais altas do mundo, com a hemorragia durante o parto sendo a principal causa de morte, de acordo com a UNICEF.

Três milhões de recém-nascidos morrem no primeiro mês de vida. Cerca de 2,25 milhões dessas mortes poderiam ser evitadas com cuidados básicos, de baixo custo. Vacinas e suplementos vitamínicos salvam vidas de ambos: bebês e mães. Mosquiteiros em regiões atingidas pela malária são eficazes, em especial para mulheres grávidas e crianças pequenas. Acesso a uma parteira pode evitar mortes desnecessárias e complicações durante a gravidez, o nascimento e nas primeiras semanas de vida do bebê.

Ao apoiar as campanhas da ONE, você garante que organizações eficazes possam continuar a evitar a morte e o sofrimento desnecessário.

Quer fazer mais? Aqui estão 15 ações de ONGs que você pode apoiar em favor de mulheres em todo o mundo neste Dia das Mães.

Por Katri Kemppainen-Bertram
Versão em Português: Mônica Brito

terça-feira, 30 de abril de 2013

Como a colposcopia está salvando vidas na Zâmbia

Janet Fleischman e Julia Nagel, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais na América (em inglês http://csis.org) são nossas blogueiras convidadas.

O câncer de colo do útero mata cerca de 275.000 mulheres todos os anos, dos quais 85% estão em países em desenvolvimento.


A ligação entre o HIV e o câncer cervical é rápido e mortal: mulheres infectadas pelo HIV, que também estão infectadas com tipos específicos de vírus do papiloma humano (HPV) são 4 a 5 vezes mais suscetíveis ao câncer cervical do que mulheres HIV-negativas. Isso tem implicações importantes para os programas de HIV, especialmente nos países com epidemia significativas de HIV.

Para entender as oportunidades e desafios da integração do exame de colo de útero e de tratamento em serviços de HIV para as mulheres, viajamos para a Zâmbia, que está na vanguarda da integração destes serviços.


A atenção ao câncer cervical na Zâmbia foi aumentada com o lançamento em 2011 da iniciativa Pink Ribbon Red Ribbon, que se baseia em serviços de HIV para incluir prevenção do câncer do colo de útero e de mama, triagem e tratamento. A demanda por triagem tem sido crescente, por vezes sobrecarregando os cerca de 50 trabalhadores de saúde que foram treinados.

Desde setembro de 2011, 22.000 mulheres foram examinadas, cerca de um terço das quais são soropositivas. O rastreio em si é simples e de baixo custo, que envolve embeber o colo do útero, em ácido acético, tal como a encontrada em vinagre comum, para verificar se há lesões anormais. Se forem encontradas lesões pequenas, elas são retiradas na clínica utilizando crioterapia, que é o óxido nítrico. Os casos mais avançados são encaminhados ou para o Hospital Distrital de Kabwe ou o Hospital Universitário, em Lusaka, mas estes locais ainda são inacessíveis para a maioria das mulheres em todo o país.

Este é apenas o começo; muito mais precisa ser feito para integrar efetivamente o rastreio do câncer de colo do útero em serviços de HIV em toda a Zâmbia e para se desenvolver a capacidade de examinar, encaminhar e tratar. No entanto, mulheres HIV-positivas na Zâmbia estão agora aprendendo que a triagem e tratamento para o câncer de colo do útero pode salvar suas vidas.

Nas palavras de Paxina, uma mulher HIV-positivo que foi tratada com sucesso: "o exame do câncer de colo do útero pode ajudar as mulheres que vivem com HIV e AIDS. Elas vão ficar mais saudáveis e vão viver por um longo tempo. Como eu. Eu sou HIV positivo. Eu fiz o exame de colo do útero e hoje eu estou aqui. "

Por blogueiras convidadas
Versão em Português:Aline Dias

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Finalista do Prêmio ONE África 2012: Eliminando as barreiras da educação para as meninas

Um dos finalistas ao Prêmio ONE África 2012 é uma inspiradora organização de Uganda chamada  SOVHEN -Apoio a  Órfãos e Vulneráveis para melhor saúde, educação e nutrição –em tradução livre.

Sendo um órfão criado por seus avós na área rural de Uganda, Richard Bbaale viu a filha deles como uma irmã mais velha enquanto crescia. Quando ela estava na adolescência, ele percebeu que pelo menos uma vez ao mês ela não ia à escola, às vezes faltava por uma semana. Mais tarde ele ainda notou que sua irmã costumava utilizar barro e folhas para controlar o sangramento, uma vez que seus avós não podiam pagar pelos caros absorventes que a teriam ajudado a frequentar as aulas, impediria infecções e evitaria constrangimentos. Anos depois, o sentimento de impotência e culpa por sua irmã ter perdido a chance de estudar assombrava Richard.

No início de 2000 na Universidade Martyrs em Nkozi, Richard é um estudante e inicia um clube com seus amigos que se concentra no apoio a órfãos e outros grupos vulneráveis ​​nas comunidades rurais com tutoria, encorajamento, atividades extracurriculares e muito mais. Os universitários se revezam para fazer voluntariado e ir às comunidades nos quatro distritos em que se concentram. Algumas vezes eles arrecadam dinheiro para comprar alimentos, material escolar e promovem partidas de futebol para que as crianças tenham uma distração. Os voluntários cada vez mais percebem que as meninas quando chegam a adolescência, passam a faltar na escola cada vez mais, até pararem de frequentar as aulas definitivamente. Enquanto Richard avança em seus estudos de ciência e engenharia, o pensamento em sua irmã ainda o incomodava. Um dia ao visitar uma aldeia,  ele percebeu os caules descartados do tronco de bananeiras após suas bananas serem colhidas. Esses caules enchiam as estradas e caminhos destas áreas rurais. Certamente deveria haver um uso para eles.

E com esse pensamento, Richard e seu grupo de amigos, que formalmente fora registrado como SOVHEN, concentraram-se em encontrar uma solução para estas garotas. Eles logo focaram no desenvolvimento de um absorvente higiênico que fosse acessível e criado a partir de materiais sustentáveis ​​e biodegradáveis. O caule da bananeira descartado, quando pressionado e processado, forneceu uma fibra absorvente que,  protegida em papel especial e com formato anatômico, poderia ser a solução para ajudar a manter as meninas nas escolas. Enquanto eles refinavam a ideia e testavam protótipos, a SOVHEN começou a propor parcerias que poderiam apoiar a implementação. Atualmente, após quatro anos de fabricação dos absorventes em instalações rurais da SOVHEN, a organização desenvolveu uma rede de distribuição que emprega equipes de mulheres para vender os absorventes, que são facilmente distribuídos nos quatro distritos rurais de Uganda onde a SOVHEN opera, através de uma rede estreita de trabalhadoras que ganham dinheiro com as vendas. SOVHEN também criou empregos nesses distritos rurais, localizando o processamento e manufatura do caule da bananeira em instalações próximas, para que mulheres e homens locais recebam salários por seu trabalho. Os indivíduos que fabricam, distribuem e vendem os Bana-pads passam por treinamento intensivo de desenvolvimento de negócios. Os Bana-pads não são a única fonte de renda para essas pessoas, mas participando com a SOVHEN, elas adquirem habilidades importantes que podem levar para seus próprios empreendimentos.
                                                              Mais imagens no Flickr.

Além do trabalho em torno do desenvolvimento e fabricação do absorvente, SOVHEN ainda está ativa em suas comunidades, oferecendo serviços adicionais aos órfãos e vulneráveis. Com sua presença nas escolas dessas comunidades, a SOVHEN aumenta a consciência dos desafios específicos que as meninas enfrentam no seu desenvolvimento educacional. SOVHEN, trabalhando com outros grupos da comunidade, tem sido responsável por mudar as atitudes que cercam as meninas quando entram na adolescência, a reduzir o estigma do ciclo menstrual. SOVHEN também trabalha lado a lado com o governo de Uganda para garantir que suas políticas nacionais de igualdade de gênero e de combate ao desemprego de jovens sejam totalmente implementadas. De fato, representantes do Ministério de Gênero, Trabalho e Desenvolvimento Social só tinham elogios para os esforços da SOVHEN em manter as meninas na escola e ao mesmo tempo a criação de emprego com soluções inovadoras e sustentáveis.

A SOVHEN impacta diretamente nos seguintes Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: cria emprego e renda (1-Erradicar a fome e pobreza extrema), mantém as meninas na escola (2-Universalizar o acesso a educação básica)  e promover a igualdade de gênero e valorização da mulher (3). Estamos orgulhosos de reconhecer SOVHEN por seu trabalho e espero que você goste de conhecer sua história!

Por: Nealon DeVore
Versão em Português: Li Lima

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

GAVI na linha de frente da prevenção do câncer

Estou ansiosa para participar da Cúpula de Líderes Mundiais Contra o Câncer 2012 a ser realizada em Montreal, Canadá, em 27 de agosto. Esta será uma oportunidade para fazer um balanço de onde o mundo se encontra com relação à prevenção e tratamento do câncer e aprender mais sobre a ação de enfrentar os desafios existentes para eliminar o câncer como doença fatal para as gerações futuras.
Foto: Adolescentes andam da escola para casa em Makeni, Serra Leoa. Todos os anos cerca de 270 mil mulheres morrem de câncer de colo uterino e outras 500.000 recebem um novo diagnóstico; principalmente, em países em desenvolvimento. Seguras e eficazes contra o HPV (papilomavírus humano) vacinas estão disponíveis e podem prevenir 70% dos casos de câncer de colo uterino.
Fonte: Olivier Asselin/GAVI/2009.
Líderes da saúde, governo, setores empresariais e filantrópicos vão se reunir para discutir formas inovadoras de reverter a epidemia global de câncer e estou animada para fazer parte disso.

Desde 2000, a Aliança GAVI tem feito grandes progressos no apoio aos países de baixa renda frente ao combate às causas da morte entre crianças, como a pneumonia e a diarreia, acelerando a implantação de vacinas novas e pouco utilizadas.

Quando se trata da prevenção do câncer eu fico feliz em dizer que a GAVI também está fazendo a diferença nesta frente. Ao acelerar a introdução de vacinas contra a hepatite B, em países em desenvolvimento desde 2000, a GAVI ajudou a prevenir um número estimado de 3,7 milhões de mortes por câncer de fígado (causada por hepatite B).

Veja Também: Os sinceros agradecimentos da CEO da GAVI, Helen Evans.

O sucesso da GAVI na implantação da vacina contra a hepatite B, a primeira vacina contra o câncer, pode agora ser potencialmente reproduzida com vacinas contra o vírus do papiloma humano (HPV), a principal causa do câncer de colo do útero.

As mulheres nos países em desenvolvimento, muitas vezes, têm pouco ou nenhum acesso à triagem ou ao tratamento para o câncer de colo uterino; então, uma vacina que previne o HPV é muito mais importante.

O apoio da GAVI para as vacinas contra o HPV ajudará a proteger dezenas de milhões de meninas contra o câncer de colo uterino, que é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres em países pobres. O que é mais perturbador sobre esse tipo de câncer é que ele atinge mulheres em seus quarenta e cinquenta anos, quando a sua contribuição para as famílias e a educação dos filhos é mais importante. E as crianças deixadas para trás não só são roubadas de sua mãe, mas muitas vezes têm uma chance menor de conseguir uma boa educação e receber os cuidados de saúde adequados.

Enquanto a GAVI pode assegurar preços acessíveis de fabricantes, esperamos começar a fornecer as vacinas aos países qualificados da GAVI prontos para implantá-las em nível nacional já em 2013. Países candidatos ao apoio da GAVI para executar um projeto de demonstração mais focada no HPV também precisam mostrar que sua estratégia de implantação da vacinação contra HPV em meninas de 9 a 13 anos é integrada como parte de um programa nacional de prevenção e triagem.

Com o crescente foco na prevenção do câncer de colo uterino, estou muito esperançosa de que a Aliança GAVI contribuirá, evitando milhões de mortes por câncer de colo de útero, através da vacinação e garantindo que todas as mulheres, onde quer que elas nasçam, possam ser protegidas contra esse tipo horrível de câncer.
Leia mais posts da GAVI no Blog ONE  aqui.

Pela Convidada Blogger
Por Helen Evans CEO Adjunta da Aliança GAVI
Versão em Português: Mônica Brito

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

As vozes que eu quero ouvir

Eu comecei este ano viajando pela África com Bono visitando lugares não visitados há uma década. Um deles era no norte de Gana. Gana é muitas vezes visto como uma história de desenvolvimento de sucesso. Ele tem uma democracia estável, rápido crescimento da economia e já atingiu o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio de reduzir pela metade a pobreza extrema. Há rumores sobre o local – eles estão na estrada de saída da ajuda. Mas este sucesso não chegou a todos e o norte de Gana, em particular, se sente deixado de fora do progresso em todo o país, tal como aconteceu há uma década.

Nesta visita ao norte fizemos uma parceria com Jeffrey Sachs e visitamos o Distrito Kpasenkpe, onde conhecemos Fatahiya Yakubu, uma enfermeira de 24 anos, trabalhando duro para ajudar a comunidade. Ela é uma de apenas duas enfermeiras que servem 30.000 pessoas em seu consultório. Ela claramente poderia fazer com alguma ajuda, como poderia a toda comunidade.

É por isso que eu estou animado, pois o Departamento do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional já começou a trabalhar, a partir desta semana, em Kpasenkpe, através do método Aldeias do Milênio e com a Autoridade Regional de Desenvolvimento Acelerado Savvanah. O projeto  Aldeias do Milênio é uma experiência importante. Acompanhar uma aldeia e distrito em um período e trabalhar em todos os setores – investir na educação, agricultura, saúde, governança – ao mesmo tempo.

A abordagem não tem sido imune às críticas e muitas lições têm sido aprendidas ao longo do curso dos projetos Vilas do Milênio em outras partes da África.

Com base neste trabalho, é também crucial que este último programa para Kpasenkpe seja, de forma independente, rigorosamente fiscalizado através de controle aleatório, de dados disponíveis publicamente e os resultados publicados para que os contribuintes britânicos possam ver como seu dinheiro está sendo investido e quais resultados estão sendo ou não alcançados.

Ajuda por si só não é a resposta para o desenvolvimento – as políticas que promovem a transparência, a boa governança, o comércio, o investimento e o crescimento inclusivo são igualmente importantes – às vezes até mais. Mas a ajuda inteligente, estrategicamente utilizada, pode salvar vidas em curto prazo e ajudar a catalisar as comunidades e economias nacionais para prosperar em médio e longo prazo.

O tipo de monitoramento independente deste projeto Aldeias do Milênio será examinado para que se torne uma prática mais generalizada frente ao setor de desenvolvimento. No geral, a comunidade de desenvolvimento precisa se tornar mais parecida com o setor empresarial na forma de experimentar, enfrentar tanto o sucesso e o fracasso bravamente, correr riscos, ser empreendedora, aprender lições e se adaptar. Ajuda inteligente, do tipo que nós defendemos para a ONE, é um investimento que mede resultados, que se mantém responsável pela entrega, que oferece a melhor avaliação independente do que funcione e, mais importante, honra as lutas reais destes cidadãos, por se abrirem a respeito do que não funciona.

Como parte de nosso próprio compromisso, nós iremos acompanhar o andamento de Kpasenkpe e Fatahiye e outras comunidades e indivíduos em todo o continente. Queremos saber o que as heroínas como Fatahiya fazem a seguir e como elas irão aproveitar e obter as oportunidades que devem surgir como resultado, principalmente, de seus próprios esforços – apoiados por britânicos, de outros programas de ajuda às nações e outras políticas que abrangem assuntos como comércio e transparência. E queremos ouvir as suas preocupações e críticas ao projeto também. Nós publicaremos suas histórias neste blog.

Queremos dar a essas vozes vitais uma plataforma para que possamos levar suas opiniões diretamente aos líderes, como a reunião do G8, ou as Cimeiras Anuais da União Africana, e dar às pessoas mais pobres a oportunidade de dizerem aos líderes o que deveriam estar fazendo para ajudar a acabar com a pobreza extrema e a fome.

Estas são as vozes que eu quero ouvir. Espero que você também. Portanto, fique atento ao blog ONE para mais.

Por Jamie Drummond
Versão em Português: Mônica Brito

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Vozes Africanas: Memuna Sandow

Antes de me tornar deputada distrital em 2009, eu já estava trabalhando com a minha comunidade por anos, especialmente com as mulheres. Mas eu cheguei a perceber que, apesar do meu trabalho árduo, sem uma posição oficial, a minha capacidade para efetuar uma mudança seria sempre limitada.

Se você não é uma deputada, se você vai a qualquer lugar para dizer alguma coisa, eles irão lhe perguntar: “Quem é você?”. Mas tudo isso mudou quando fui eleita para representar as comunidades de Wulugu, Silinga e Nabari em âmbito distrital. Agora em qualquer escritório que eu quiser entrar, eu entro, e lhes digo a que eu vim para, e se eles podem ajudar ou não podem, que eles me deixem saber.
Memuna Sandow é deputada do Distrito Oeste de Mamprusi, norte de Gana.
Como uma de apenas cinco mulheres no grupo de 43 membros da assembleia, estou especialmente determinada a ter minha voz ouvida. Muitos homens na comunidade resistem à ideia de mulheres na liderança. Eles acreditam que, se uma mulher recebe a posição mais elevada, ela não irá respeitar o marido, ela será arrogante. Então, por causa disso alguns homens recusam que suas mulheres saiam e se transformem em líderes. E mesmo meu marido tendo me apoiado desde o início, sofri intimidações e insultos durante a campanha. Mas as mulheres da minha comunidade me ajudaram a perseverar.

Como um membro da assembleia, eu me reúno regularmente com as comunidades para saber o que elas precisam e depois advogo, em seus nomes, com o governo e outros potenciais patrocinadores. As comunidades rurais que eu represento tem uma população de 1700, mas nenhuma delas tem um centro de saúde, as escolas estão em condições precárias e faltam professores treinados, a eletricidade não está disponível e as fontes de água são inadequadas, especialmente durante a estação seca.

Nos próximos anos, pressinto as unidades de saúde a uma curta distância de todos, o abastecimento de água suficiente e acessível, e energia elétrica para permitir que as comunidades se conectem com o mundo. Hoje em dia, é computador em toda parte. Sem eletricidade, você não pode trabalhar em um computador. Você usa o computador para navegar, encontrar os amigos, para descobrir o que está acontecendo no mundo e até mesmo para encontrar fontes de apoio para as necessidades da comunidade.

A educação é um componente fundamental: eu quero ver edifícios escolares melhores dirigidos por professores treinados e comprometidos, de modo que todas as crianças, especialmente as meninas, possam ser habilitadas com a educação. Em última análise, são as mulheres que cuidam de suas famílias e comunidades. É tão importante capacitar e educar a menina. Se um menino recebe dinheiro, ele vai casar, ele vai beber. Mas se uma garota recebe dinheiro, se uma menina recebe boa educação, ela vai construir uma casa para a família, ela vai cuidar da família. Ela ainda vai cuidar de outras pessoas que chegam a ela.

Com contribuições de cidadãos africanos que vivem em comunidades afetadas pela extrema pobreza, a série ONE Vozes Africanas vai seguir o curso para dar uma melhor compreensão dos desafios do dia a dia que eles enfrentam e também para acompanhar as mudanças que ocorrem ao longo do tempo. Saiba mais em one.org/africanvoices (em inglês).

Este post foi gentilmente cedido pelo Projeto Aldeias do Milênio

Pela Convidada Memuna Sandow
Versão em Português: Mônica Brito

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Momentos Mandela: Minhas observações sobre a liderança africana, paz e desenvolvimento

Semhar Araia, fundadora e diretora executiva da Rede Diáspora de Mulheres Africanas (link em inglês Diaspora African Women’s Network), reflete sobre algumas das lições que aprendeu com Nelson Mandela ao longo dos anos.

“Sua liberdade e a minha não podem ser separadas. Eu voltarei.” - Nelson Mandela

De vez em quando, é dada ao mundo a oportunidade de testemunhar as verdades fundamentais da vida através do percurso de uma única pessoa. De tempos em tempos, as ações dessa pessoa, suas palavras e atos e sua busca por uma maior existência deixa um legado duradouro em sua comunidade e em seus colegas compatriotas. No mais raro das vezes, a busca dessa pessoa por paz, justiça e igualdade ressoam tão profundamente que é carregada nos corações e mentes de cada homem, mulher e criança na Terra.


Isso é o que Nelson Mandela significa pra mim.

Para muitos africanos na diáspora, a vida de Madiba é uma fonte infinita de aulas e momentos de aprendizado. Seu lugar na história afirma o nosso lugar no mundo como cidadãos globais negros africanos, líderes e pacificadores. Ele é o exemplo definitivo de governança africana, boa liderança e diplomacia.

Eu sou grata por ter vivenciado, como uma jovem adulta, a transição do apartheid na África do Sul a um jovem governo democrático. Lembro-me de ter ido às manifestações anti-apartheid com minha mãe em meados dos anos 1980. Foi o primeiro ensinamento que me lembro ao ver a responsabilidade coletiva que tivemos na diáspora para lutar pela justiça, liberdade e paz na África.

Por causa de Nelson Mandela, aprendi sobre direitos humanos a partir da perspectiva africana. Foi mais profundo do que a independência de nossos colonizadores, foi sobre o direito de se mover, associar, pensar, falar e contribuir livremente para o bem estar de seu país de modo que se possa ter uma vida melhor. Para mim a vida de Mandela representa a essência da liberdade da África – o direito de todas as pessoas serem ouvidas, organizar, falar, discordar, viver em segurança, paz e justiça.

"Coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas quem vence esse medo. "– Nelson Mandela

Nelson Mandela nos lembra da capacidade da África de perdoar e aceitar o outro, transformar a luta contra o inimigo em uma parceria para a coexistência. Sua mensagem nos leva a olhar o interior e nos esforçarmos para sermos melhores de modo que possamos verdadeiramente servir aos outros. Mais importante ele simboliza a sabedoria e a vontade que os líderes devem ter para aceitarem a mudança transformadora que cada pessoa é obrigada a passar.

Muitas vezes, muitos de nós sabemos o que está por vir para a África e seu povo. Nós pensamos sobre as fortunas do continente e os infortúnios, projetando maneiras de criar um melhor caminho cheio de promessa e progresso para todos. Finalmente, chegamos a pergunta de 64 milhões de dólares – o que Mandela fez? Como podemos aprender com ele? Mais importante: o que podemos fazer para desenvolver mais líderes como ele?

Eu chamo essas perguntas de meus “Momentos Mandela”, esses momentos inegáveis, inabaláveis de relação e reflexão onde nós revisamos a história da África do Sul e tentamos tirar lições do estilo humilde de visão e liderança de Mandela. Independentemente da causa, país, sistema de valor ou familiaridade com a África, praticamente o desafio de qualquer um pode ser resolvido de alguma forma, olhando para trás para ver como Mandela enfrentou um desafio similar.


Momentos Mandela para a África

A vida de Mandela, todos os 94 anos dele, refletem um período notável de uma transição após a outra. Sessenta anos de compromisso com a justiça e a paz assumiram várias formas. De um organizador que se tornou prisioneiro, para um líder político que se tornou o primeiro presidente negro, a um antigo líder e diplomata experiente, sua visão de sociedade livre, justa e igualitária nunca vacilou. Para a África há muitos Momentos Mandela onde podemos aprender.

"A paz é a maior arma para o desenvolvimento que qualquer pessoa pode ter." – Nelson Mandela

Na Paz e Resolução de Conflito: Mandela é a prova de que a paz é um processo contínuo que existe muito antes, durante e após os acordos serem assinados e prêmios serem concedidos. É a busca comum e verdadeira de um mundo mais igualitário, justo, tolerante e seguro com o outro.

A paz sobrevive quando as pessoas estão dispostas a levá-la e cultivá-la com o inimigo, independente dos obstáculos. Mandela nos mostrou que a paz não pode vir de influência ou forças externas. Ela deve vir do indivíduo, quando o coração e a mente estão desprovidos de interesses pessoais, queixas ou egos e totalmente comprometido com a paz e a coexistência. Após este compromisso pessoal, Mandela nos ensinou que a paz é alcançada e mantida quando os inimigos escolhem a convivência sobre a guerra ou insegurança. Quando eles escolhem o perdão e a reconciliação, juntamente com pedidos de justiça.

“Uma das coisas que aprendi quando estava negociando era que até eu me mudar, eu não poderia mudar os outros.” – Nelson Mandela

Em Liderança e Governança: Sabemos ao assistir muitos anos de Mandela no ANC, em sua subsequente prisão e, finalmente, como o primeiro presidente negro do país, que a liderança e a boa governança devem existir em todos os níveis para a mudança sistêmica.

A liderança deve ir além da definição de uma pessoa ou visão partidária. A boa vontade de Mandela em trabalhar além das linhas partidárias e sentar-se com o inimigo nos dias pós-apartheid era extremamente arriscada, humana e tolerante. Muitos sentiram que ele tinha abandonado a luta e desistido. Suas ações mostraram que a liderança real é colaborativa, coletiva e abrangente – exatamente o oposto de autoridade, abordagens corruptas ou inflexíveis. É ter foco firme no objetivo comum com perdão, flexibilidade, inclusão e visão para se ajustar às condições humanas.


Em Desenvolvimento: Para os negros sul-africanos, o apartheid representou mais que uma forma institucionalizada de racismo e subjugação. O apartheid era também uma vida de pobreza sistêmica, guerra econômica, negação dos direitos humanos básicos e sofrimento em massa de milhões de negros africanos.

Mandela viu o nexo entre o direito das pessoas para reunir, organizar e gozar plenamente os direitos políticos e econômicos. A prosperidade e a liberdade de um grupo dependem da prosperidade e liberdade do outro. Ele sabia que o governo não poderia melhorar a vida do distrito, ou criar empregos, ou buscar o desenvolvimento nacional em longo prazo, se não reconhecer o direito dos sindicatos de trabalhadores negros, estudantes, mulheres e outros grupos marginalizados para reunir, participar e se engajar com o governo. O desenvolvimento, a prosperidade e a proteção de todos os direitos humanos estavam interligados.


No Poder: Em minha opinião, o maior ato de Mandela como presidente foi o dia que ele optou por deixar. Não porque ele deveria ter se afastado, mas porque nesse gesto ele demonstrou tal visão e sabedoria, que injetou mais fé no processo político do país e do sistema, do que na capacidade de um homem para liderar. Depois de um mandato, apenas cinco anos, Mandela abriu caminho para seus sucessores e focou em servir seu país pela vida cívica. Ele sabia que a nova vida da África do Sul como um país livre necessitava de respirar e crescer. Ele precisava de uma nova vida com mais foco na próxima geração de líderes.

Há muitos ‘Momentos Mandela’ para aprender, mas neste Dia Mandela eu mantenho isso como, talvez, as maiores lições que ele me ensinou. O mundo é um lugar muito mais seguro, amoroso e tolerante por causa de Madiba. Somos eternamente gratos.

Feliz Aniversário, Madiba!
18 de julho, 2012.

Semhar Araia é a fundadora e diretora executiva da Rede Diáspora de Mulheres Africanas. Ela já trabalhou para The Elders, uma organização fundada por Nelson Mandela, Arcebispo Desmond Tutu, Graca Machel, Kofi Annan e dez outros líderes mundiais, entre 2007 e 2008.
Por Semhar Araia
Versão em Português: Mônica Brito